São 22h19min, sei que estás acordado, eu também; pego no telemóvel, escrevo uma mensagem, ponho o teu nome, penso duas vezes, apago-a e digo não. Já tiveste demasiada atenção, não sei se percebeste ou achaste que era tua invenção. Não me importa! Sentei-me à tua espera, mas ainda não chegaste; agora levanto-me porque sei que não voltaste. Viajo no tempo imagino-me a dar-te a mão, não dizes nada, e perco-me no teu abraço; acordo e deixo-me de ilusão. Contorno o sentimento, resisto e não respondo e mesmo assim não percebes o jogo. Tentei, pareces ignorar, as regras estão mal feitas na hora de gostar. Fico inquieta, pareces corresponder... foi confusão. Posso arriscar, mas tenho medo, podes não gostar. Os nãos são sempre garantidos, por isso vou deixar-me sossegar. Perco-me por pensamentos, vens na minha direcção, seguras-me e eu deixo-me ficar. Gostava que todos os sonhos pudessem ter razão, sem desilusão. Ao tentar conjugar o verbo, o "tu" foge sem explicar o porquê de não querer ficar. Apetece-me falar, resisto porque sei que não vai adiantar; fala-me, arrisca, deixa-te levar e liberta-te de tensões. Espera! Fizeste-me acreditar... outra vez... um passo atrás, pareceu-me ouvir-te. Não te posso julgar por pensar que não estás ligado na mesma sintonia que eu, mas gostava que pudéssemos ouvir a mesma canção. Tenho paciência, espero, por enquanto, vou-me esforçando para que deste lado não fique um resto de nada, mas um pedaço de tudo para que algo possa ficar seguro. Não sei, não sei se me apetece esperar; já tentei todas as hipóteses e mais uma. Talvez já tenha existido demasiado tempo para dizer...